ServiçosSegmentosCasos de usoBlogClientesComo funcionaEquitye LabAgendar diagnóstico

Break even: o número que todo gestor deveria saber de cabeça

Como calcular o ponto de equilíbrio da empresa, a estrutura de custos que sustenta esse cálculo e por que ratear custo fixo por produto leva a cortar a linha errada.

Cálculo do break even: custos fixos divididos pela margem de contribuição, com o ponto de equilíbrio destacado

Vou começar com uma situação que aparece com frequência.

O dono olha para o faturamento e vê crescimento. Olha para o caixa e não entende onde o dinheiro foi. A equipe está maior, os pedidos também, mas a sensação é de que a empresa corre no lugar.

Quase sempre o diagnóstico passa pelo mesmo ponto: a empresa não sabe qual é o seu ponto de equilíbrio, e por consequência não sabe se está gerando ou destruindo valor a cada venda.

Aqui vou falar sobre break even, sobre a estrutura de custos que sustenta esse cálculo, e sobre um erro que aparece muito em análise de rentabilidade: o rateio de custos fixos.

Custo fixo e custo variável

Para chegar no break even, a primeira coisa é separar bem esses dois grupos. Parece óbvio, mas na prática a classificação errada distorce tudo o que vem depois.

Custo fixo é o que você paga independente do volume vendido. Aluguel, folha administrativa, pró-labore, contador, software, seguro. Esses custos existem no mês em que você vendeu R$ 20 mil e no mês em que vendeu R$ 200 mil. Não se movem com o volume.

Custo variável é proporcional à venda. Matéria-prima ou mercadoria, comissão de vendedor, embalagem, frete, imposto sobre a receita. Quanto mais você vende, mais paga; quanto menos vende, menos paga.

O ponto de atenção: alguns custos crescem com o volume, mas em degraus, não de forma linear. Contratar um funcionário a mais quando a operação dobra é um exemplo. Para fins de break even, a prática mais conservadora é classificar como fixo quando houver dúvida.

Margem de contribuição

Antes de chegar no break even, tem um cálculo que precisa ser entendido.

Margem de contribuição = receita − custos variáveis

É quanto sobra de cada venda depois de pagar o que foi necessário para aquela venda acontecer. Esse valor é o que vai cobrir os custos fixos, e o que sobrar depois disso é lucro.

Um exemplo. Produto vendido por R$ 100. Custos variáveis: matéria-prima R$ 30, imposto R$ 8, comissão R$ 4, frete R$ 3, totalizando R$ 45.

Margem de contribuição = R$ 100 − R$ 45 = R$ 55, ou 55% em percentual.

Isso significa que, de cada R$ 100 vendido, R$ 55 ficam disponíveis para cobrir os custos fixos da operação. É o mesmo conceito que separa uma DRE gerencial bem estruturada de uma que só replica o formato fiscal.

O cálculo do break even

Break even = custos fixos totais ÷ margem de contribuição (%)

É a receita mínima para cobrir todos os custos fixos. Abaixo disso, prejuízo. Acima, o lucro começa a aparecer.

Caso prático

Uma distribuidora de alimentos, porte médio, três vendedores, galpão alugado.

Custos fixos mensais:

Item Valor
Aluguel R$ 8.500
Folha administrativa R$ 7.200
Pró-labore R$ 6.000
Contador R$ 1.200
Software ERP R$ 800
Internet e telefone R$ 400
Seguro R$ 600
Total R$ 24.700

Custos variáveis sobre a receita: CMV 52%, impostos 8%, comissão 4%, frete 3%, totalizando 67%. Logo, a margem de contribuição é de 33%.

Break even = R$ 24.700 ÷ 0,33 = R$ 74.848

Abaixo de R$ 74.848 por mês, a empresa opera no prejuízo, independente do que a DRE mostre.

Dividindo pelos dias úteis: R$ 74.848 ÷ 22 = R$ 3.402 por dia. Esse é o número que o gestor deveria acompanhar toda semana. Se na primeira semana do mês as vendas estão abaixo do ritmo necessário, dá tempo de reagir. Se você só descobre no fechamento, já passou. É por isso que o break even ganha força quando está num indicador atualizado, e não numa planilha que fecha depois do mês.

Por que ratear custo fixo é perigoso

Aqui entra um ponto que pouca gente discute abertamente, e que distorce bastante a análise de rentabilidade por produto, por canal ou por unidade de negócio.

Rateio é a prática de distribuir custos fixos entre produtos, departamentos ou clientes usando algum critério, normalmente receita, volume ou horas trabalhadas. A ideia parece razoável: se a empresa tem R$ 24.700 de custo fixo e três linhas de produto, cada linha carrega uma parte desse custo, e você calcula a rentabilidade de cada uma já com o fixo alocado.

O problema é que custo fixo não funciona assim na vida real. Se você descontinua a linha B porque o rateio mostrou que ela é deficitária, os R$ 24.700 não desaparecem. Eles continuam existindo, e agora são redistribuídos entre as linhas A e C, que ficam aparentemente menos rentáveis também.

O exemplo que torna isso claro. Mesma distribuidora, três linhas, receita mensal de R$ 120 mil, custo fixo rateado proporcionalmente à receita:

Linha Receita Custo fixo alocado
A R$ 60.000 R$ 12.350
B R$ 40.000 R$ 8.233
C R$ 20.000 R$ 4.117

Analisando a Linha C com margem de contribuição de 28%: a MC é R$ 20.000 × 28% = R$ 5.600, contra R$ 4.117 de custo alocado, dando R$ 1.483 de lucro aparente. Parece viável.

Mas e se a margem cair para 20%? A MC vira R$ 4.000, contra os mesmos R$ 4.117, resultando em R$ 117 de prejuízo aparente. O gestor olha para isso e decide cortar a Linha C.

Só que a Linha C contribuía com R$ 4.000 de margem de contribuição por mês, dinheiro que ajudava a pagar os R$ 24.700 de custo fixo. Cortando a linha, esse R$ 4.000 some. Os R$ 24.700 continuam. O resultado: menos receita, mesma estrutura de custo fixo, e um buraco maior para cobrir com as linhas A e B.

A análise correta não usa rateio. Usa margem de contribuição. A pergunta certa não é “essa linha cobre o custo fixo que alocamos a ela?”. É “essa linha gera margem de contribuição positiva?”. Se gera, mesmo que pouco, ela está ajudando a pagar os custos fixos da empresa, e cortá-la piora o resultado.

A única razão válida para descontinuar uma linha com margem de contribuição positiva é se o recurso que ela ocupa pudesse ser usado em algo com margem ainda maior. Aí é decisão de mix, não de corte de prejuízo. Rateio tem uso em precificação e em relatório por centro de custo, mas usá-lo para decidir se um produto é viável é uma armadilha.

Três perguntas para responder com esse número em mãos

Qual é o break even da empresa hoje, e quanto ele mudou nos últimos 12 meses? Se o faturamento cresceu mas o break even subiu na mesma proporção, a empresa está correndo no lugar: mais venda, mesma folga.

Qual é a margem de contribuição de cada linha ou canal? Não o resultado depois do rateio, e sim a margem antes de qualquer alocação de custo fixo. Esse número revela onde está o motor e onde a empresa vende por vender. É o mesmo recorte que aparece na análise comercial e na análise de clientes.

Se uma variável importante mudar, o break even ainda fecha? Custo de insumo, imposto, comissão. Simular antes de a mudança acontecer é diferente de descobrir o impacto no fechamento do mês.

Break even não é conta de fim de mês. É o número que diz, todo dia, se a operação está de pé. Estruturar isso, com a margem separada do custo fixo e o resultado aberto por linha, é parte do que fazemos em controladoria e FP&A.

Perguntas frequentes

O que é break even (ponto de equilíbrio)?
Break even é a receita mínima que a empresa precisa faturar para cobrir todos os seus custos fixos. Abaixo desse ponto, a operação dá prejuízo; acima dele, o lucro começa a aparecer. É o número que diz se cada venda está construindo ou consumindo resultado.
Como calcular o ponto de equilíbrio?
Divida os custos fixos totais pela margem de contribuição em percentual. Por exemplo, com R$ 24.700 de custo fixo mensal e margem de contribuição de 33%, o break even é R$ 24.700 dividido por 0,33, ou seja, cerca de R$ 74.848 de receita por mês.
Qual a diferença entre margem de contribuição e lucro?
Margem de contribuição é o que sobra de cada venda depois de pagar apenas os custos variáveis daquela venda. Esse valor cobre os custos fixos; o que sobrar depois disso é lucro. Ou seja, margem de contribuição vem antes do custo fixo, e o lucro vem depois.
Por que ratear custo fixo por produto é um erro?
Porque custo fixo não desaparece quando você corta um produto. Se uma linha parece deficitária depois do rateio e é descontinuada, o custo fixo que estava alocado nela se redistribui entre as outras, que ficam aparentemente menos rentáveis. A decisão de manter ou cortar deve usar a margem de contribuição, não o custo fixo rateado.
Break even deve ser medido em faturamento ou por dia?
Vale acompanhar dos dois jeitos. O break even mensal mostra a meta do mês; dividido pelos dias úteis, ele vira um ritmo diário fácil de monitorar. Se nas primeiras semanas as vendas estão abaixo desse ritmo, ainda dá tempo de reagir, em vez de descobrir o problema só no fechamento.

Quer ver isso funcionando na sua empresa?

Sem compromisso. Você sai entendendo onde estão os gargalos.
Agendar diagnóstico
Na prática

Como a Equitye atua nesse tema

Leia também

Outros artigos do blog

Equitye Lab

Estuda finanças a sério? Tem uma comunidade nossa para isso.

O Equitye Lab reúne quem trabalha com finanças para estudar modelagem, valuation, indicadores e uso de IA no dia a dia. Encontros ao vivo, trilhas gravadas e material para aplicar na sua empresa.

Conhecer o Equitye Lab

Vamos falar sobre os números da sua empresa?

Comece por um diagnóstico da sua estrutura financeira atual. Sem compromisso.

Recebemos o seu contato por e-mail e abrimos o WhatsApp com a mensagem pronta.