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ROIC: o retorno que diz se a empresa cria ou destrói valor

ROIC é o retorno sobre o capital investido na operação. Veja a fórmula, um exemplo e por que comparar o ROIC ao custo do capital é o teste que revela se a empresa gera ou queima valor ao crescer.

ROIC comparado ao custo de capital: o spread que mostra se a empresa cria valor

O ROIC é o indicador que responde à pergunta mais importante e menos feita na gestão: crescer nesta empresa cria ou destrói valor? A maioria dos negócios persegue crescimento como se ele fosse sempre bom. O ROIC, comparado ao custo do capital, mostra que nem sempre é: existe crescimento que consome mais valor do que gera, e reconhecê-lo é o que separa expandir de afundar com estilo.

O que é

ROIC é o retorno sobre o capital investido, do inglês Return on Invested Capital. Ele mede quanto a operação gera de lucro para cada real de capital aplicado nela, somando o capital dos sócios e o de terceiros.

A diferença em relação ao ROE é o que torna o ROIC tão valioso. O ROE olha só o retorno para o dono e, por isso, é influenciado pela dívida. O ROIC olha o retorno de toda a operação, antes de dividir o bolo entre credores e sócios. Ele responde a uma pergunta mais pura: independentemente de como foi financiada, esta operação é boa de capital?

Por isolar a operação da estrutura de financiamento, o ROIC é a medida mais limpa da qualidade de um negócio. Duas empresas com o mesmo ROIC têm operações igualmente eficientes, ainda que uma seja endividada e a outra não. É esse recorte que o torna a régua preferida de quem avalia negócios a sério.

Como calcular

ROIC = NOPAT ÷ capital investido × 100

As duas peças pedem uma explicação, porque é nelas que mora a diferença para os outros indicadores.

O NOPAT (Net Operating Profit After Taxes) é o lucro operacional depois de descontar os impostos, mas antes dos juros. É o resultado que a operação gera para todos os financiadores juntos, sem ainda separar o que vai para o banco na forma de juros. Parte-se do resultado operacional (o EBIT, primo do EBITDA) e aplica-se a carga de imposto sobre ele.

O capital investido é a soma do patrimônio líquido com a dívida onerosa, os empréstimos e financiamentos que cobram juros. É todo o dinheiro que está bancando a operação, venha de quem vier.

Juntando os dois, o ROIC mostra o retorno da operação sobre o capital total, na mesma base para qualquer empresa, endividada ou não.

Um exemplo com números

Uma empresa com resultado operacional (EBIT) de R$ 800 mil, carga de imposto de 25%, patrimônio líquido de R$ 3 milhões e dívida onerosa de R$ 2 milhões:

Componente Valor
EBIT (resultado operacional) R$ 800.000
(−) Imposto sobre o EBIT (25%) R$ 200.000
(=) NOPAT R$ 600.000
Patrimônio líquido R$ 3.000.000
(+) Dívida onerosa R$ 2.000.000
(=) Capital investido R$ 5.000.000

ROIC = 600.000 ÷ 5.000.000 × 100 = 12%

A operação rende 12% ao ano sobre todo o capital que a sustenta. Guarde esse número, porque sozinho ele ainda não diz se é bom. O veredito vem da comparação seguinte.

O teste que importa: ROIC contra custo de capital

Um ROIC de 12% pode ser excelente ou desastroso, e o que decide não é o número, é a referência. Essa referência é o custo do capital que financia a empresa, conhecido como WACC: a média ponderada do que custa a dívida e do que os sócios esperam de retorno.

A regra é direta:

  • ROIC acima do custo de capital: a empresa cria valor. Cada real investido rende mais do que custa, e crescer aumenta o valor do negócio.
  • ROIC abaixo do custo de capital: a empresa destrói valor ao crescer. Cada real investido rende menos do que custa financiá-lo, e quanto mais ela expande, mais consome.

No exemplo, se o custo de capital for 9%, a empresa cria valor: há um spread de 3 pontos entre o que a operação rende e o que o capital custa. Se o custo de capital for 15%, o mesmo ROIC de 12% significa que a empresa destrói valor a cada real que reinveste, ainda que apresente lucro contábil. É uma das descobertas mais desconfortáveis de uma análise: dá para dar lucro e destruir valor ao mesmo tempo.

Esse spread entre ROIC e custo de capital é o coração de qualquer avaliação de negócio, e é o terreno das decisões de investimento e captação. Uma empresa que sustenta ROIC acima do custo de capital por anos é uma máquina de gerar valor; uma que não sustenta está trabalhando para os credores.

Por que o ROIC muda a decisão de crescer

O ROIC reposiciona a pergunta do crescimento. A questão deixa de ser “quanto podemos crescer” e passa a ser “o capital adicional que o crescimento exige vai render acima do que custa”.

Um negócio com ROIC alto deveria reinvestir o máximo que conseguir, porque cada real aplicado multiplica valor. Um negócio com ROIC abaixo do custo de capital deveria fazer o contrário: em vez de crescer, primeiro consertar a operação ou devolver capital aos sócios, porque crescer no estado atual só amplia a destruição de valor. A mesma decisão, expandir, é acertada em um caso e ruinosa no outro, e é o ROIC que distingue os dois.

Por isso o ROIC não é um número de relatório trimestral esquecido no rodapé. É um número de decisão, que deveria estar na mesa toda vez que se discute um investimento relevante, ao lado da margem, do ciclo financeiro e da geração de caixa. Mantê-lo atualizado e confiável, reconciliado com a contabilidade e comparado ao custo de capital, é parte do que estruturamos em controladoria e FP&A, com os indicadores da empresa em tempo real.

O ROIC é exigente porque cobra a pergunta que quase ninguém quer fazer no meio de um plano de expansão. É também por isso que ele é o indicador que mais separa o crescimento que enriquece do crescimento que só ocupa.

Perguntas frequentes

O que é ROIC?
ROIC é o retorno sobre o capital investido, do inglês Return on Invested Capital. Ele mede quanto a operação gera de lucro para cada real de capital aplicado nela, somando capital próprio e de terceiros. Diferente do ROE, o ROIC isola a qualidade da operação da forma como ela foi financiada.
Como calcular o ROIC?
Divida o NOPAT, que é o lucro operacional depois dos impostos, pelo capital investido. O capital investido é a soma do patrimônio líquido com a dívida onerosa, ou seja, todo o dinheiro que financia a operação. O resultado, em percentual, é o retorno que a operação gera sobre o capital total, antes de decidir quanto vai para credores e quanto para sócios.
Qual a diferença entre ROIC e ROE?
O ROE mede o retorno sobre o capital dos sócios apenas; o ROIC mede o retorno sobre todo o capital investido, próprio e de terceiros. O ROE é influenciado pela dívida, o ROIC não. Por isso o ROIC é a medida mais limpa da qualidade da operação, enquanto o ROE mistura operação e alavancagem.
O que significa ROIC maior que o custo de capital?
Significa que a empresa cria valor. Quando o ROIC supera o custo do capital que financia a operação (o WACC), cada real investido rende mais do que custa, e crescer aumenta o valor da empresa. Quando o ROIC fica abaixo do custo de capital, a empresa destrói valor ao crescer: quanto mais investe, mais consome. Esse spread é o teste central de criação de valor.
O que é um bom ROIC?
Um bom ROIC é aquele consistentemente acima do custo de capital da empresa. O número absoluto varia por setor, mas o critério é sempre relativo: não basta o ROIC ser alto, ele precisa ser maior que o custo do capital que sustenta a operação, e se manter assim ao longo do tempo, não em um ano isolado.

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